GIULIANA MIRANDA – LISBOA, PORTUGUAL (FOLHAPRESS) – Para tentar agilizar o sobrecarregado sistema de pedidos de vistos no Brasil, o governo de Portugal passou a permitir que as solicitações sejam feitas por meio de um centro de atendimento alternativo em São Paulo, operado pela empresa privada VFS Global.

Quem optar pelo serviço paga uma taxa adicional de R$ 84, além dos R$ 377,55 do valor original do visto.

A nova forma de requerer vistos é válida para estadias de estudo e trabalho. Brasileiros que desejam viajar a Portugal como turistas, por períodos de até 90 dias, não precisam solicitar a permissão.

O governo português afirma que, em breve, o serviço será expandido para outras cidades brasileiras.

Quem quiser pode continuar a fazer a requisição diretamente com o consulado ou por meio dos vice-consulados.

Em seu site, a VFS Global esclarece que funciona apenas como “um centro administrativo e de cobrança”, e que a responsabilidade sobre a aprovação ou não dos vistos é exclusiva do consulado português.

O centro terceirizado fica na rua Butantã, nº 434, 5º andar, no bairro paulistano de Pinheiros. A entrega de documentos para os pedidos pode ser feita das 8h30 às 15h, de segunda a sexta.

A empresa disponibiliza ainda dois canais diretos de atendimento e esclarecimento de dúvidas: o e-mail infoportugal.sp@vfshelpline.com e o telefone (11) 4314-1170.

O governo de Portugal usa os serviços de terceirização dos pedidos de vistos em diversos países.

Só a VFS Global, que opera no Brasil, cuida de solicitações portuguesas em outras 17 nações, segundo informações do Ministério de Negócios Estrangeiros.

Com o aumento da demanda de vistos de estudo para Portugal, a demora no processamento e emissão dos documentos chegou a vários meses.

Estudantes relatam esperas de mais de três meses para conseguirem a permissão, o que tem levado, nos últimos anos, a diversos relatos de alunos que chegam a perder o início do ano letivo devido à falta do documento.

Os atrasos em todo o Brasil provocaram manifestações de insatisfação não apenas de estudantes, mas também das universidades portuguesas.

Os alunos internacionais são uma importante fonte de receita para as instituições de ensino de Portugal, uma vez que os estrangeiros geralmente pagam mensalidades mais caras do que os alunos portugueses.

Por isso, desde as alterações legislativas que permitiram a cobrança diferenciada, em 2014, as instituições têm investido pesado em políticas para atrair alunos de fora do país.

Na última década, a quantidade de estudantes internacionais matriculados em instituições de ensino de Portugal praticamente dobrou, de acordo com estatísticas do setor.

Os brasileiros lideram o ranking, com mais de 12,2 mil alunos. O número é praticamente o mesmo da soma dos outros quatro países do top 5: Angola, Espanha, Cabo Verde e Itália.

Mais de 30 universidades portuguesas já aceitam o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como forma de ingresso em seus cursos. A mais recente da parceria com o Brasil, que começou em 2014, é a Universidade Europeia de Lisboa.

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